Dias atrás
andando pela Av. Paulista me deparei com um sujeito envolto num banner com os
dizeres, “Dia 20/12/2012 o mundo acabará”. Bradava aos quatros cantos que nosso
fim está mais que próximo, dava os argumentos para sustentar suas teorias e
esclarecia aos curiosos e demais transeuntes o quê era necessário fazer diante do
iminente dia do juízo final.
Parei por alguns instantes e analisei a
possibilidade daquilo tudo ser verdade mesmo, mas como um ex-estudante de teologia (isso mesmo, cursei aproximadamente três anos
na Faculdade Teológica Batista de São Paulo), ex-cristão e ex. não
apreciador de bebidas alcoólicas, descartei o fato, considerei aquilo tudo mais
uma sandice de um fanático sem causa, vítima da esquizofrenia generalizada, típica
de nossos dias, de nossa sociedade escrota e de nosso modo de vida destrutivo.
Ao mesmo
tempo, continuei caminhando rumo ao meu destino e perguntei-me, - E se aquilo fosse
mesmo verdade? E se aquele homem, que passa boa parte de seu tempo de vida,
alertando as pessoas, gente que ele nem conhece, a praticarem o bem, serem mais
atenciosas com as pequenas e singelas coisas da vida, pensarem menos em si
próprias, serem menos destrutivas consigo mesmas e com o mundo, estivesse realmente certo?
Automaticamente, veio-me a mente diversas coisas
que ainda não fiz, desejos que não realizei por uma série de fatores. Pessoas
que não conheci, lugares que não fui, palavras que não disse ou que não
gostaria de ter dito. Paixões não vividas, amores não amados, músicas não
ouvidas. Um turbilhão de sentimentos e reações que em quase trinta anos de vida,
ajudaram a moldar minha personalidade e deram-me uma perspectiva, uma visão sobre
o mundo que nunca me possibilitou perceber quão boa é existência humana, quão
boa é vida e suas sinuosidades, sua inexatidão. Porém só percebemos isso quando
estamos prestes a perdê-la.
Em seguida, esqueço-me de tudo. Viro a esquina da Paulista com a Augusta, desço uns dois quarteirões sentido
centro, paro num boteco, sento-me, peço uma cerveja, uma porção de
torresmo, acendo um cigarro, observo o desfile das belas pelo passeio e torço,
torço para que momentos como estes, possam perpetuarem-se por muitos e muitos tempos.
2 comentários:
O fim existe apenas para aqueles que deixam de sonhar.
Wow! Gostei muito desse! É exatamente por tudo que não vi e que ainda quero viver e descobrir, que vivo ligada no 220...
Postar um comentário