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quarta-feira, julho 04, 2012

Apocalipse Nada!


 Dias atrás andando pela Av. Paulista me deparei com um sujeito envolto num banner com os dizeres, “Dia 20/12/2012 o mundo acabará”. Bradava aos quatros cantos que nosso fim está mais que próximo, dava os argumentos para sustentar suas teorias e esclarecia aos curiosos e demais transeuntes o quê era necessário fazer diante do iminente dia do juízo final.
 Parei por alguns instantes e analisei a possibilidade daquilo tudo ser verdade mesmo, mas como um ex-estudante de teologia (isso mesmo, cursei aproximadamente três anos na Faculdade Teológica Batista de São Paulo), ex-cristão e ex. não apreciador de bebidas alcoólicas, descartei o fato, considerei aquilo tudo mais uma sandice de um fanático sem causa, vítima da esquizofrenia generalizada, típica de nossos dias, de nossa sociedade escrota e de nosso modo de vida destrutivo.
Ao mesmo tempo, continuei caminhando rumo ao meu destino e perguntei-me, - E se aquilo fosse mesmo verdade? E se aquele homem, que passa boa parte de seu tempo de vida, alertando as pessoas, gente que ele nem conhece, a praticarem o bem, serem mais atenciosas com as pequenas e singelas coisas da vida, pensarem menos em si próprias, serem menos destrutivas consigo mesmas e com o mundo, estivesse realmente certo?
 Automaticamente, veio-me a mente diversas coisas que ainda não fiz, desejos que não realizei por uma série de fatores. Pessoas que não conheci, lugares que não fui, palavras que não disse ou que não gostaria de ter dito. Paixões não vividas, amores não amados, músicas não ouvidas. Um turbilhão de sentimentos e reações que em quase trinta anos de vida, ajudaram a moldar minha personalidade e deram-me uma perspectiva, uma visão sobre o mundo que nunca me possibilitou perceber quão boa é existência humana, quão boa é vida e suas sinuosidades, sua inexatidão. Porém só percebemos isso quando estamos prestes a perdê-la.
Em seguida, esqueço-me de tudo. Viro a esquina da Paulista com a Augusta, desço uns dois quarteirões sentido centro, paro num boteco, sento-me, peço uma cerveja, uma porção de torresmo, acendo um cigarro, observo o desfile das belas pelo passeio e torço, torço para que momentos como estes, possam perpetuarem-se por muitos e muitos tempos. 

terça-feira, junho 12, 2012

Obrigado Santo Antonio!



Que os solteiros levam uma vida difícil em relação ao restante da sociedade do matrimonio, já se é sabido desde os primórdios, mas de fato, esta é a época do ano em que aqueles que por opção resolveram dizer não ao status de “relacionamento sério” no Facebook da vida mais penam, é a mais pura realidade.

Não sofrem corroídos pela inveja de verem dezenas de casais, transitando de mãos dadas pelas alamedas e centros de consumo (vulgo shoppings centers) exalando o amor através de beijos e olhares semelhantes aos de Profº Girafales e Dna. Florinda, quando se encontravam no pátio da famosa vila do Chaves.

Não, realmente não, quem preenche Estado civil: “Solteiro” nos formulários de cadastros de sites e repartições públicas, não está preocupado se os casais saem com outros casais para jantar nas noites frias de nosso inverno meia-boca. Nem se nesse exato momento, eles estão juntinhos debaixo do cobertor comendo pipocas e assistindo uma daquelas comédias românticas típicas de nossos dias sem sentido.

Jamais, jamais, há tantas coisas mais importantes pra nos debruçarmos, como a crise na zona do euro, o meio ambiente, o abandono de animais, do que esse “mimimi” todo.

Caro leitor (a) longe de mim, fazer desse espaço um tanque de lamurias de alguém que se encontra solitário e por isso, revoltado com a felicidade alheia. Viva o amor, viva o amor! Aliás, é de amor que esse mundo precisa para se tornar um pouco melhor. 

Mas o fato é que para pessoas em estado de solidão grau 9, se é que pode existir uma classificação para isso e, que frequentemente são vítimas de comentários e ilações a respeito de sua vida afetiva, vê sua situação piorar por conta dessa terrível data conhecida como Dia dos Namorados. Digo por que:

Reunião de família onde você encontra aquela tia que não vê há anos, e a primeira coisa que ela diz pra você, com toda graça do mundo é: Meu sobrinho querido! Como está bonito! E a namorada não veio, Não? Olha, não vai ficar pra titio heim! Veja seu irmão, já está noivo. Aproveite a época dos namorados. No meu tempo... blablablá...

Ou ainda aquele tio rude, que associa o fato de você está solteiro à sua opção sexual e, não contente a coloca em cheque na frente de todo restante da família. Dizendo que sua mãe é a culpada pelo fato de você se encontrar nessa situação. “Se tivesse soltado mais o menino, seria diferente. No meu tempo não era assim.” Resmunga o titio Peréio filho da mãe.

As mulheres então, se chegaram aos trinta, não noivaram ou casaram, são tachadas de “encalhadas”, serão aquelas destinadas a cuidar dos pais na velhice e toda sorte de males recairão sobre elas. Condenadas estarão ao ostracismo do sofá e do pote de sorvete, regado a lágrimas emocionadas diante da tela da TV, assistindo a “Antes do Amanhecer” pelo décimo ano consecutivo nas noites de sábado da semana dos namorados. Que trágico!

Graças a São Valentim, Santo Antônio ou o João Dória, publicitário (pra variar) que fez a primeira campanha voltada para a este “target” em 1949 no Brasil, para alavancar as vendas da extinta loja Cliper no mês de junho é que você e eu caro solteiro, somos hostilizados pelos vis padrões da sociedade matrimonial e seus ditames comerciais até hoje.

Obrigado Santo Antonio!

quarta-feira, maio 23, 2012

Cachoeira, Tiradentes, Jesus Cristo e o Silêncio.




O plenário da CPI estava lotado em Brasília, todos os olhos do Brasil ou pelo menos de uma boa parte deles, estava voltado para o circo armado em torno do tão esperado depoimento do homem mais citado na grande mídia atualmente, não caro leitor, não é o Neymar. Mas sim, nada mais, nada menos que o contraventor de maior prestígio entre a classe política brasileira na atualidade, Senhor Carlinhos Cachoeira.

Ele chegou de mansinho, no sapatinho, como dizem por ai. Acompanhado de seu advogado Sr. Marcio Thomaz Bastos que, diga-se de passagem, foi Ministro da Justiça dessa pátria amada Brasil, na primeira gestão de Lula.

Aliás, essa CPI do Cachoeira está um verdadeiro Tietê. Tem lixo boiando por todos os lados, tanto de quem é investigado, quanto de quem investiga. Nomes como o de Fernando Collor, Vacarezza e Romero Jucar, só confirmam o grau de descrença de que haverá alguma punição aos culpados, por parte da maioria da população brasileira.

Diante do silêncio sepulcral do Senhor Carlinhos, me veio á mente a expressão “... Você tem o direito a ficar em silêncio, tudo que disser pode ser usado contra você no tribunal...” que tanto ouvimos nesses filmes policiais da vida. Não se trata de um mero bordão policialesco hollywoodiano, e sim um direito constitucional notado no artigo 5º, LXIII da carta magma brasileira.

Graças a Ernesto Miranda, americano acusado de violação e rapto de uma mulher em 1963 no Arizona, EUA e a predisposição do Brasil em copiar tudo o que vem do Tio Sam é que hoje, o Senhor Cachoeira pode zombar da cara de todos nós sem nenhum problema. Amparado pela lei.

            Na história da humanidade, figuras consideradas idôneas e inocentes de culpa, a exemplo de Tiradentes e Jesus Cristo, reservaram-se ao direito de permanecerem em silêncio e mesmo assim, foram condenados a penas capitais.

            O duro é saber que este indivíduo, mesmo com todos os indícios já comprovado de sua culpabilidade, goza do beneficio de ficar em silêncio garantido por lei e ainda, corre o sério risco de não ser devidamente punido por todos seus crimes.

Não é uma verdadeira piada de mau gosto?